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Quando lembro que apenas 79 volumes compunham a estante pessoal de Thomas Jefferson (núcleo a partir do qual se formou a Biblioteca do Congresso Norte-Americano), não posso deixar de considerar a enorme responsabilidade que nos toca no limiar deste século XXI.
Jamais a humanidade contou com um acervo de informação acumulada como ocorre nos dias de hoje. Além disso, mais informação é quotidianamente produzida e circula em velocidade inusitada.
A sociedade humana passa, em razão disso, a um estágio novo de democratização do conhecimento, dada a difusão irrestrita de conteúdos que antes só eram acessíveis a muito poucos.
Se a preocupação anterior restringia-se a obter, preservar e entesourar conhecimento, ela agora se volta primordialmente para a tarefa de administrar os registros desse conhecimento.
Para tal efeito, a tecnologia tem sido aliada indispensável. Simultaneamente mais sofisticada e popularizada, a cada dia ela viabiliza o acesso amplo à informação e proporciona formas seguras de organizá-la e preservá-la. É a sistematização do amplíssimo cabedal de dados de que dispomos que permite dele retirar a maior utilidade — em nosso caso, aperfeiçoar o serviço de prestação de Justiça.
Visando a disseminar e a discutir novos conceitos, tecnologias e tendências na gestão da informação jurídica, o Supremo Tribunal Federal realizará, entre 12 e 14 de fevereiro de 2007, o 1º Seminário de Gestão da Informação Jurídica em Espaços Digitais. Será uma excelente oportunidade para conhecer as recentes discussões mundiais sobre as aplicações dos avanços tecnológicos, com o fim de ampliar cada vez mais as possibilidades de prestação de serviços de nossas bibliotecas e centros de informação.
Uma dessas aplicações, em especial, vem ganhando espaço como forma de mediação da informação: as bibliotecas digitais, que representam um dos sistemas com maior potencial de disseminação e preservação de conteúdos. Elas oferecem grandes vantagens, por exemplo, na conservação de documentos originais e de obras raras, acervos que, além de expostos ao desgaste natural, também sofrem muito com o manuseio. Ao oferecer acesso remoto às versões digitalizadas desses documentos, as “e-bibliotecas” tornam-se um instrumento importante de preservação. E tão importante quanto essa alternativa é a possibilidade de acesso simultâneo por quantos queiram consultar o mesmo texto, diferencial significativo em relação à estante física, que se desfalca de conteúdo para servir a um só leitor de cada vez.
O desenvolvimento de uma biblioteca digital envolve variados e complexos aspectos, alguns dos quais o Seminário irá apresentar para debate entre os participantes, tais como as últimas tecnologias desenvolvidas, a arquitetura da informação, a acessibilidade, a segurança digital e os direitos autorais neste novo contexto. Também as mais bem-sucedidas experiências nacionais e internacionais relacionadas a esse modelo de prestação de serviços poderão ser conhecidas durante o evento.
Ao promovê-lo, o Supremo Tribunal Federal espera contribuir para a disseminação do conhecimento tecnológico como instrumento de ampliação e melhoria das possibilidades de acesso à informação jurídica.
Ministra Ellen Gracie Northfleet
Presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça
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